terça-feira, 6 de outubro de 2009

Filosofia: A Busca da Saída da Caverna

" Por que as Ciências, filhas da Filosofia, depois de repartirem entre si a herança filosófica, lhe voltam as costas, como as filhas do rei Lear, depois de dividido o seu reino?" ( Will Durant )
Ao contrário do que muitos letrados insistem em repetir, a Filosofia não trata apenas de abstrações ou elocubrações à cerca de tudo e de nada. Ela é sim, uma maneira de pensar o mundo e tentar compreendê-lo através da atitude racional. Para os que acreditam que nada vale fazer Filosofia, gostaria de lembrar que sem as primeiras tentativas gregas de entender o cosmo, as Ciências provavelmente não teriam garantido seu lugar no mundo como fonte de entendimento do mesmo. A crise entre o saber mítico, também denominado cosmogonia, e o saber racionalizado, que surgiu com a filosofia , chamado cosmologia, já mostra o grande passo que esta passagem significou na construção do saber ocidental.
A Alegoria da Caverna, usada por Platão, é, no meu entendimento, um modo não apenas eficaz, mas sobretudo, extremamente acessível de fazer a ponte entre os conceitos e a substituição da cosmogonia pela cosmologia. É o mundo ordenado que se opõe ao caos, no momento em que ainda não se reconhecia a real capacidade humana de usar seu potencial racional que daria origem não apenas à Filosofia, mas consequentemente, às Ciências. Pena que muitos cientistas se esquecem deste detalhe... .

sábado, 3 de outubro de 2009

A Não Indiferença

Valorar é uma experiência fundamentalmente humana que se encontra no centro de todas as escolhas. Elaborar um plano de ação já é indício de escolhas de valores, mesmo que não percebamos. Há o mundo das coisas e o mundo dos valores, ou seja, não é possível a existência humana sem que esta não busque seus significados. Deste modo, nos mostramos capazes de realizar ações transformadoras, deixamos de ser passivos para sermos atuantes.
Somos afetados pelas coisas e pelas pessoas uma vez que somos influenciados pelo que nos rodeia, mas, também não passamos incólumes pelo mundo, pois atribuir valor a algo ou a alguém é uma maneira de não passar indiferente. Não ser indiferente é a atitude que orienta a ação humana na construção da história do homem como indivíduo e como personagem de seu tempo. Daí a importância de se respeitar a pluralidade e as diferenças como garantia para que nenhum povo se deixe sucumbir à tentação de dominar o outro por considerar o diferente como sinal de inferioridade. O verdadeiro homem pauta suas escolhas no seu dia a dia na medida em que, reconhecendo os riscos do egoísmo consciente, presente tanto no indivíduo como na atmosfera coletiva, age cautelosamente como legislador de si e do mundo.

A Não Indiferença

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Vida Como Eterno Fluxo

A observação que fazemos a respeito de nós mesmos e que nos faz acreditar naquilo pensamos ser, não significa que de fato seja verdade. Nós mesmos nada mais somos senão aquilo que acreditamos naquele momento. A antiga máxima de Heráclito:"não se entra duas vezes no mesmo rio", é um caminho para a reflexão das verdades que acreditamos consumadas como modelos representativos de nós mesmos. Do mesmo modo que precisamos conhecer a história para que dela possamos falar, é também necessário que busquemos nos vestígios de nosso passado, as correntezas que a cada instante atravessaram nosso caminho. Deste modo, nos renovamos e damos conta de que nada somos senão aquilo que sentimos e que nos renova a cada instante.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A Possível Harmonia

Para os gregos Apolo era o deus da luz, do uso do raciocínio claro, da harmonia e do equilíbrio. Dionísio era seu oposto, pois enquanto Apolo era o deus da razão, Dionísio era o deus do exagero, da bebedeira, da loucura, dos vinhos e das festas.
O saber apolíneo é baseado na proporção, na calma e na serenidade. A necessidade desta ordem é contraposta pela desmesura do saber dionisíaco, já que este último busca o êxtase, e assim, no lugar do sonho, procura a embriaguez.
Não poderia haver um só homem que em sua lucidez, não experimentasse estas duas facetas tão diferentes porém tão necessárias para revelar a ilusão em que vive. Transitando entre a clareza apolínea, que tenta mascarar a dura realidade, transformando o mundo em ilusão, a ponto de encobrir a árdua tarefa do viver, a visão dionisíaca, com suas extravagâncias, vem como êxtase permitir a este homem tornar possível o desejado, mesmo que para isto, a crueldade do mundo se faça presente como necessidade.
É a contradição da perfeição e da clareza diante do ímpeto, nem sempre tão claro e nem sempre preciso. Estes somos nós, uma mistura de Apolo e de Dionísio, de equilíbrio e de loucura.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Respondendo Comentário A Voz do Silêncio

Se for quem eu estou pensando, é uma honra tê-la como leitora, minha querida mestra.
Um brinde aos seus ensinamentos.
Beijos!

A Voz do Silêncio

"Penso noventa e nove vezes e nada descubro: deixo de pensar, mergulho em profundo silêncio e eis que a verdade se me revela." (Einstein)
Dizem que o silêncio é algo que não pode ser comprado e que nosso espírito só se realiza quando mergulhado no silêncio natural, pois embora não pareça, ele serve de compreensão. Nossas vivências mais intimamente próprias, estas não são ditas, são na verdade vividas internamente. Para certas coisas na vida as palavras são desnecessárias.
Por vezes, quebramos o nosso momento de silenciar quando procuramos nas palavras um modo de explicar para o outro o que sentimos. Mas, é no silêncio da nossa memória que estão depositadas todas as nossas experiências e vivências. É lá que estão presentes as imagens do sol, da terra e do mar, pois é lá que me encontro a mim mesmo.